História do Coletivo Flores de Teatro
Fundado entre 2015 e 2016, o Coletivo Flores de Teatro emergiu com a proposta de realizar uma investigação colaborativa focada na interseção do teatro latino-americano e no estudo das máscaras andinas. O grupo é composto por acadêmicas e um dramaturgo do Curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), incluindo figuras como Ana Carneiro, Vilma Campos, Maria De Maria e Luiz Carlos Leite. Este coletivo, ao longo de sua existência, construiu uma trajetória notável, marcada pela experimentação cênica e pelo estreito diálogo entre a universidade e a comunidade em geral, realizando montagens em teatros, espaços abertos e até quintais.
Programação Especial de Aniversário
Em comemoração aos seus dez anos, o Coletivo Flores de Teatro organizou uma programação especial que ocorrerá em diferentes locais por Uberlândia de 11 de setembro a 4 de outubro. O evento inclui a exposição fotográfica “O que permanece depois da cena”, além dos espetáculos “Sobre Ratos, Maridos e Pulgas” e “Flores Arrancadas à Névoa”. A programação foi elaborada para não apenas celebrar a história do coletivo, mas também reafirmar seu compromisso com temas que tratam da memória, resistência e questões sociais.
Teatro como Espaço de Memória
A programação do Coletivo abordará histórias de mulheres que vivenciam o exílio, a violência e o envelhecimento, assim como os mecanismos que tentam apagar suas histórias em função das estruturas de poder existentes. O teatro, nesse contexto, é visto como um meio de resistência e um espaço de memória que luta contra o esquecimento.

Exposição O que Permanece Depois da Cena
A abertura da temporada se dá com a exposição fotográfica “O que permanece depois da cena”, de Thaneressa Lima. Este evento apresenta uma coleção de imagens que documentam a trajetória do Coletivo Flores de Teatro, propondo uma reflexão sobre a memória de seus processos criativos, além de caprichar em mostrar o impacto que esses processos tiveram na formação do coletivo. A exposição estará disponível para visitação de 18 a 29 de setembro, na Cozinha Solidária Fidel Castro.
Espetáculo Sobre Ratos, Maridos e Pulgas
Nos dias 19 e 20 de setembro, o coletivo apresentará o espetáculo “Sobre Ratos, Maridos e Pulgas” na sede do Grupontapé. Este trabalho, que reúne a atuação de Roberta Liz e Lupac, é baseado nas cartas de importantes figuras como Pierina Cechini, Camille Claudel e Rosa Luxemburgo. A dramaturgia, escrita por Luiz Carlos Leite, utiliza um ambiente de manicômio como cenário para discutir questões sobre a violência e a resistência feminina, refletindo sobre os desafios que as mulheres enfrentam.
Ensaio-espetáculo com Ana Carneiro
Um dos momentos culminantes da celebração ocorrerá no dia 25 de setembro, às 19h, com a apresentação de “Um Ensaio sobre a Longevidade: A Senhora Está Sozinha?!?” protagonizado por Ana Carneiro, co-fundadora do grupo. O evento, realizado na Sala Ana Carneiro no campus Santa Mônica da UFU, discutirá temas como o envelhecimento e a continuidade da criação artística, proporcionando ao público uma oportunidade para reflexão e diálogo após a apresentação.
Flores Arrancadas à Névoa Retorna aos Palcos
O encerramento da programação será marcado pela volta de “Flores Arrancadas à Névoa” aos palcos, apresentando-se nos dias 3 e 4 de outubro na sede do Grupontapé. Esta peça, que foi a primeira produção do coletivo e que se inspira no trabalho do dramaturgo equatoriano Arístides Vargas, explora a experiência de duas mulheres forçadas a deixar sua terra natal e busca provocar uma reflexão profunda sobre pertencimento e identidade, o que garante sua atualidade dentro do cenário social contemporâneo.
A Importância do Teatro na Comunidade
O Coletivo Flores de Teatro celebra os dez anos como um testemunho do papel crucial que o teatro desempenha na comunidade, funcionando como um espaço de memória e um veículo de resistência. A programação não se limita apenas a relembrar suas próprias histórias; propõe um reencontro com questões que ainda têm relevância social, mantendo o diálogo vivo entre arte e comunidade.
Reflexões sobre Resistência e Envelhecimento
Por meio de sua programação, o coletivo demonstra uma preocupação genuína com a resistência e o envelhecimento, abordando essas questões de maneira sensível e poética. O teatro é considerado um reflexo das lutas enfrentadas por grupos marginalizados, promovendo um espaço para a discussão e para a conscientização acerca de temas sociais e atuais.
O Futuro do Coletivo Flores de Teatro
O Coletivo Flores de Teatro, ao completar uma década de atividades, reafirma sua relevância no cenário cultural e precisa continuar a expandir seus horizontes. A inclusão de novos membros e a criação de novos projetos prometem fortalecer ainda mais a capacidade deste coletivo de impactar sua comunidade e dialogar com novos públicos, sempre mantendo a essência de suas raízes na pesquisa e na experimentação teatral.


